A conta certa
A taxa da maquininha é cobrada sobre o valor da venda, ou seja, sobre o preço que o cliente paga. Por isso ela não pode ser simplesmente somada ao valor que você quer receber.
A fórmula é:
preço a cobrar = valor que você quer receber ÷ (1 − taxa)
O que a lei permite
Cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento é permitido desde a Lei 13.455/2017. O que a lei exige é informação clara e visível sobre a diferença, antes da compra. Na prática:
- Deixe o aviso no cardápio, na etiqueta, na vitrine ou no orçamento.
- Diga o preço das duas formas (“R$ 200 no Pix, R$ 210,50 no crédito”) em vez de anunciar “acréscimo de taxa” sem valor.
- Nunca surpreenda o cliente na hora de passar o cartão: isso vira reclamação e problema no Procon.
Cada forma de pagamento tem uma taxa diferente
Usar uma taxa só para tudo é o segundo erro mais caro depois de somar a porcentagem por cima. As faixas variam muito por adquirente, por volume negociado e por ramo, mas a ordem de grandeza costuma ser esta:
| Forma de pagamento | Faixa comum | Prazo para receber |
|---|---|---|
| Pix | de zero a cerca de 1% | Na hora |
| Débito | por volta de 1% a 2% | 1 dia útil |
| Crédito à vista | por volta de 3% a 5% | 30 dias |
| Crédito parcelado | sobe com o número de parcelas | 30 dias por parcela |
Pegue a sua taxa real no extrato ou no app da maquininha, nunca na tabela de propaganda. A taxa anunciada costuma ser a promocional do primeiro mês ou a do volume mais alto.
A taxa média ponderada
Se você quer um preço único para todas as formas de pagamento, não use a média simples das taxas. Pese cada uma pela fatia que ela representa nas suas vendas.
Um exemplo: 40% das vendas no Pix a 0%, 20% no débito a 1,5% e 40% no crédito a 4,5%. A taxa média ponderada é (0,40 × 0) + (0,20 × 1,5) + (0,40 × 4,5) = 2,1%. É esse número que vai na calculadora, não os 4,5% do pior caso nem os 2% da média simples.
Antecipação de recebíveis muda a conta
Receber em 30 dias e antecipar para hoje tem custo, e ele soma à taxa da venda. Se o crédito à vista custa 4% e a antecipação custa mais 2%, a taxa que entra na calculadora é 6%, não 4%.
Antecipar todo mês, por hábito, é uma das formas mais silenciosas de perder margem: o custo aparece diluído no extrato e raramente entra na planilha de preço. Antes de antecipar, vale comparar com o custo de um capital de giro, que às vezes sai mais barato.
O que a lei exige que você informe
Cobrar mais no cartão é permitido pela Lei 13.455/2017, mas a permissão vem com uma condição: informação clara e ostensiva, antes da compra.
Na prática isso significa:
- Preço das duas formas visível no cardápio, na etiqueta, na vitrine ou no orçamento. “R$ 200 no Pix, R$ 210 no crédito” cumpre; “acréscimo de taxa” sozinho não cumpre.
- O aviso tem que estar onde o cliente vê antes de decidir, não na hora de passar o cartão.
- Vale para venda online também, com o valor de cada forma aparecendo antes da finalização.
Surpreender o cliente no fechamento, além de gerar reclamação, expõe o negócio a autuação do Procon por violação ao dever de informação do Código de Defesa do Consumidor.
Repassar nem sempre é a melhor escolha
A calculadora responde quanto cobrar, não se você deve cobrar. Em alguns negócios o repasse afasta cliente mais do que a taxa custa.
O caminho que costuma funcionar melhor é o inverso: anunciar o preço cheio, o do cartão, e oferecer desconto no Pix. O valor final é o mesmo, mas a leitura do cliente muda de “estão me cobrando a mais” para “estou ganhando um desconto”. A lei trata as duas formas igual, desde que a informação esteja visível antes da compra.
Limitações desta calculadora
- Considera uma única taxa por venda. Se você antecipa recebíveis, some a taxa de antecipação à taxa da forma de pagamento.
- Não inclui impostos, aluguel de maquininha nem taxa fixa por transação, quando houver.
- As taxas que aparecem como exemplo são apenas ilustrativas. Use a sua, que está no app ou no extrato da maquininha.
- O cálculo roda no seu navegador. Nenhum dado digitado aqui é enviado para a gente.