Por que dividir e não multiplicar
A conta que quase todo mundo faz primeiro é somar tudo em cima do custo: “meu custo é R$ 50, quero 45% entre despesa, imposto, taxa e lucro, então vendo por R$ 72,50”.
O problema é que esses 45% não incidem sobre o custo. Eles incidem sobre o preço que o cliente paga. E o preço é maior que o custo, então cada percentual come um pedaço maior do que você imaginou.
A fórmula correta é:
preço = custo ÷ (1 − soma dos percentuais)
O que entra em cada campo
| Campo | O que é | Como descobrir |
|---|---|---|
| Custo direto | O que sai do bolso por unidade vendida | Nota do fornecedor, matéria-prima, ou horas de trabalho × valor da hora |
| Despesas fixas | Custo que existe mesmo sem vender | Soma das despesas do mês ÷ faturamento médio do mês |
| Impostos | Tributos sobre a venda | Alíquota efetiva do seu anexo no Simples. MEI: 0, porque o DAS é fixo |
| Taxa de pagamento | O que a maquininha e o Pix cobram | Taxa média, pesando quanto você vende em cada forma de pagamento |
| Lucro | O que sobra para você | Decisão sua. É percentual do preço, não do custo |
Onde a conta costuma sair errada
- Esquecer a despesa fixa. É o erro mais caro. Sem ratear aluguel, luz e pró-labore, o preço cobre só o custo do produto e a empresa vai consumindo o próprio caixa.
- Usar a alíquota da tabela do Simples em vez da efetiva. A alíquota nominal do anexo não é a que você paga. A efetiva desconta a parcela a deduzir e costuma ser bem menor.
- Somar o DAS do MEI como percentual. O DAS é valor fixo. Ele entra rateado na despesa fixa, junto com o resto.
- Ignorar a taxa de antecipação. Se você antecipa recebíveis, a taxa de antecipação entra somada à taxa do cartão.
- Tratar o lucro como sobra. Lucro é custo de existir da empresa: ele entra na conta antes, não depois.
Markup e margem, lado a lado
As duas palavras são usadas como sinônimo e não são. Markup é quanto você multiplica o custo. Margem é quanto sobra do preço. A conversão é direta:
| Markup | Margem correspondente |
|---|---|
| 1,25× | 20% |
| 1,50× | 33,3% |
| 2,00× | 50% |
| 2,50× | 60% |
| 3,00× | 66,7% |
| 4,00× | 75% |
A fórmula é margem = 1 menos (1 ÷ markup). Repare como a margem cresce cada vez menos: dobrar o markup de 2× para 4× não dobra a margem, sobe de 50% para 75%.
Quem combina preço “com 30% de lucro” sem dizer sobre o quê costuma estar falando de coisas diferentes do interlocutor. Deixe claro se o percentual é do custo ou do preço.
Precificando serviço, não produto
Em serviço o custo direto não vem de nota fiscal: vem do seu tempo. O caminho é transformar hora em custo antes de usar a calculadora.
- Quantas horas você vende por mês? Não são 160. Descontando prospecção, orçamento, deslocamento, cobrança e administração, boa parte dos prestadores vende de 80 a 100 horas.
- Quanto você precisa tirar por mês? Pró-labore desejado, não o mínimo de sobrevivência.
- Custo da hora = o que você precisa tirar dividido pelas horas vendáveis.
- Custo do serviço = custo da hora vezes as horas daquele trabalho, mais material aplicado.
Esse custo entra no campo de custo direto. Despesa fixa, imposto, taxa e lucro continuam como percentuais do preço.
O erro clássico em serviço é dividir o salário desejado por 160 horas. Isso produz uma hora barata demais, porque metade do mês não é faturável.
Limitações desta calculadora
- Calcula o preço de uma unidade, com base nos percentuais que você informar. Não faz rateio por produto nem curva ABC.
- Não considera desconto, promoção, devolução, inadimplência ou perda de estoque. Se eles são frequentes no seu negócio, acrescente um percentual para cobri-los.
- A alíquota efetiva do Simples muda conforme o faturamento dos últimos 12 meses. Revise o percentual a cada mudança de faixa.
- Não substitui a análise do seu contador nem a checagem do preço que o mercado aceita pagar.
- O cálculo roda no seu navegador. Nenhum dado digitado aqui é enviado para a gente.